O que são as doenças neurodegenerativas na infância?

As doenças neurodegenerativas na infância são um grupo raro de doenças neurológicas, que causam sintomas progressivamente debilitantes, além da irreversível perda de células neuronais.1-3

Elas se apresentam como uma degeneração inesperada da função cerebral, frequentemente associada a doenças encontradas em adultos como, por exemplo, o mal de Alzheimer, e é comumente desconhecida e diagnosticada incorretamente quando afeta crianças.1

As Lipofuscinoses Ceroides Neuronais (ou Doença de Batten 6,7), a Doença de Niemann-Pick tipo C2,5, alguns tipos de mucopolissacaridose3,9 e as leucodistrofias fazem parte do grupo das doenças neurodegenerativas na infância de origem genética. Existem ainda outras menos comuns.2

Muitas formas de doenças neurodegenerativas na infância, que se apresentam inicialmente como convulsões recorrentes, evoluem para danos cerebrais irreparáveis, demência, epilepsia, cegueira e perda das funções motoras como, por exemplo, a capacidade de deglutição.1-3

Conheça os sinais que podem esconder possíveis doenças neurodegenerativas na infância

Os sintomas de doenças neurodegenerativas na infância podem surgir a qualquer momento, a partir dos dois anos de idade. Sem tratamento, elas vão destruindo progressiva e irreversivelmente os neurônios responsáveis pela cognição e todas as outras funções do sistema nervoso.

Atente-se a alguns sintomas de doenças neurodegenerativas na infância3-5:

Atraso ou regressão da evolução do desenvolvimento neuropsicomotor

Crises epilépticas

Perda gradativa das funções motoras
(a criança passa a apresentar problemas para andar ou realizar movimentos físicos, como os da deglutição)

Perda gradativa da visão

Perda gradativa da capacidade cognitiva, notadamente perda progressiva da linguagem e de funções psicomotoras7

Demência

Atenção: o diagnóstico precoce das doenças neurodegenerativas na infância não acontece, muitas vezes, devido a sintomas iniciais inespecíficos, que são geralmente confundidos com outras doenças.-1,7-8 O diagnóstico tardio é particularmente prejudicial às crianças, uma vez que os danos cerebrais causados são irreversíveis.

Doença de Batten (ou lipofuscinose ceroide neuronal – LCN) Dos 14 tipos conhecidos, 12 deles são conhecidos por causar Doenças neurodegenerativas na infância) Epidemiologia LCNs são consideradas as principais causas de neurodegeneração em crianças e adolescentes. A incidência estimada varia por região, sendo descrita a incidência combinada de todas as formas, desde 1/67.000 nascidos vivos (Itália e Alemanha) a 1/14.000 nascidos vivos (Islândia). Descrição Caracterizadas por acúmulo neuronal na retina e em outros órgãos de lipopigmento autofluorescente (lipofuscina ceroide). As apresentações dos tipos de LCNs variam em idade, sintomas e evolução da doença. Sinais mais comuns são Crises epilépticas / epilepsia, atraso de linguagem, mioclonia, ataxia / quedas, disfagia, distonia, espasticidade, perda de visão, declínio cognitivo / demência, entre outros.
Doença de Niemann-Pick tipo C (NP-C) Uma doença de depósito lisossômico (LSD) que causa Doenças neurodegenerativas na infância Epidemiologia A incidência estimada é de 1/130.000 nascidos vivos. Descrição NP-C é uma doença ocasionada por alterações no tráfego de colesterol não esterificado. Doença genética, de herança autossômica recessiva, progressiva e irreversível caracterizada por manifestações viscerais, neurológicas e psiquiátricas, não necessariamente combinadas. Sinais mais comuns são Paralisia vertical do olhar, ataxia / quedas, epilepsia, mioclonias, distonia, disartria, disfagia, fraqueza muscular, espasticidade, sintomas psicóticos, distúrbio de comportamento, cataplexia gelástica, hipotonia neonatal, declínio cognitivo / neurodegeneração, entre outros. Idade de início O quadro clínico é muito heterogêneo, isto é, a idade de início varia entre o período perinatal e 50 anos ou mais.
Mucopolissacaridoses (MPS) Grupo de doenças de depósito lisossômico no qual 4 tipos são conhecidos por causar Doenças neurodegenerativas na infância (MPS I, MPS II, MPS III e MPS VII). Epidemiologia MPS II – em média 1/155.000 nascidos vivos. MPS III – em média 1/70.000 nascidos vivos. Descrição Mucopolissacaridoses são doenças genéticas multissistêmicas raras, que fazem parte do grupo de doenças de depósito lisossômico e são caracterizadas pelo acúmulo de glicosaminoglicanos (GAG) nos tecidos. Os sinais e sintomas relacionados à MPS ocorrem por causa do acúmulo desses GAGs no interior dos lisossomos das células, o que leva à destruição dos tecidos e disfunção orgânica sistêmica. MPS II – Padrão de herança recessivo ligado ao cromossomo X. MPS III – Padrão de herança autossômico recessivo. Sinais mais comuns são MPS II Pacientes têm aparência normal ao nascer, mas, entre 18 meses e 4 anos, as feições faciais tornam-se progressivamente grosseiras. A criança apresenta macroglossia, margens supraorbitais proeminentes, nariz alargado, bochechas arredondadas, lábios grossos e macrocefalia. Muitos pacientes apresentam atraso do desenvolvimento neuropsicomotor. Esses quadros são classificados como graves e podem incluir ainda a hidrocefalia e quadros convulsivos, problemas comportamentais (como agressividade, hiperatividade e regressão) e cognitivos.
DOENÇAS RELACIONADAS
Doença de Batten

(lipofuscinose ceroide neuronal – LCN)

Doença de Batten (ou lipofuscinose ceroide neuronal – LCN)
Dos 14 tipos conhecidos, 12 deles são conhecidos por causar Doenças neurodegenerativas na infância)

Epidemiologia
LCNs são consideradas as principais causas de neurodegeneração em crianças e adolescentes. A incidência estimada varia por região, sendo descrita a incidência combinada de todas as formas, desde 1/67.000 nascidos vivos (Itália e Alemanha) a 1/14.000 nascidos vivos (Islândia).

Descrição
Caracterizadas por acúmulo neuronal na retina e em outros órgãos de lipopigmento autofluorescente (lipofuscina ceroide).
As apresentações dos tipos de LCNs variam em idade, sintomas e evolução da doença.

Sinais mais comuns são
Crises epilépticas / epilepsia, atraso de linguagem, mioclonia, ataxia / quedas, disfagia, distonia, espasticidade, perda de visão, declínio cognitivo / demência, entre outros.

Doença de Niemann - Pick Tipo C

(NP-C)

Doença de Niemann-Pick tipo C (NP-C)
Uma doença de depósito lisossômico (LSD) que causa Doenças neurodegenerativas na infância

Epidemiologia
A incidência estimada é de 1/130.000 nascidos vivos.

Descrição
NP-C é uma doença ocasionada por alterações no tráfego de colesterol não esterificado.
Doença genética, de herança autossômica recessiva, progressiva e irreversível caracterizada por manifestações viscerais, neurológicas e psiquiátricas, não necessariamente combinadas.

Sinais mais comuns são
Paralisia vertical do olhar, ataxia / quedas, epilepsia, mioclonias, distonia, disartria, disfagia, fraqueza muscular, espasticidade, sintomas psicóticos, distúrbio de comportamento, cataplexia gelástica, hipotonia neonatal, declínio cognitivo / neurodegeneração, entre outros.

Idade de início
O quadro clínico é muito heterogêneo, isto é, a idade de início varia entre o período perinatal e 50 anos ou mais.

Mucopolissacaridoses

(MPS)

Mucopolissacaridoses (MPS)
Grupo de doenças de depósito lisossômico no qual 4 tipos são conhecidos por causar Doenças neurodegenerativas na infância (MPS I, MPS II, MPS III e MPS VII).
Epidemiologia
MPS II – em média 1/155.000 nascidos vivos.
MPS III – em média 1/70.000 nascidos vivos.

Descrição
Mucopolissacaridoses são doenças genéticas multissistêmicas raras, que fazem parte do grupo de doenças de depósito lisossômico e são caracterizadas pelo acúmulo de glicosaminoglicanos (GAG) nos tecidos.
Os sinais e sintomas relacionados à MPS ocorrem por causa do acúmulo desses GAGs no interior dos lisossomos das células, o que leva à destruição dos tecidos e disfunção orgânica sistêmica.
MPS II – Padrão de herança recessivo ligado ao cromossomo X.
MPS III – Padrão de herança autossômico recessivo.

Sinais mais comuns são
MPS II
Pacientes têm aparência normal ao nascer, mas, entre 18 meses e 4 anos, as feições faciais tornam-se progressivamente grosseiras.
A criança apresenta macroglossia, margens supraorbitais proeminentes, nariz alargado, bochechas arredondadas, lábios grossos e macrocefalia.
Muitos pacientes apresentam atraso do desenvolvimento neuropsicomotor. Esses quadros são classificados como graves e podem incluir ainda a hidrocefalia e quadros convulsivos, problemas comportamentais (como agressividade, hiperatividade e regressão)
e cognitivos.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

O que são doenças neurodegenerativas na infância?

São desordens neurológicas que interferem no metabolismo cerebral, levando a uma regressão do desenvolvimento motor e cognitivo. Ou seja, doenças em que a criança perde o desenvolvimento já adquirido, resultando em redução da visão e da audição, além da regressão na linguagem, na inteligência e no desenvolvimento motor.

As doenças neurodegenerativas na infância são parecidas com as doenças neurodegenerativas mais conhecidas como Alzheimer ou demência? Como é possível que uma doença de gente idosa aconteça em crianças?

Na realidade, não são as mesmas doenças, mas têm sintomas parecidos. São doenças diferentes que causam, por mecanismos diferentes, o comprometimento progressivo das células do cérebro. As crianças já nascem com a doença, mas os sintomas neurodegenerativos podem acontecer em qualquer idade.

Quais são as causas das doenças neurodegenerativas na infância?

Existem vários fatores, desde mutações genéticas que causam alterações no metabolismo da criança a partir de determinada idade, até danos cerebrais causados por infecções virais, fármacos psicotrópicos etc. As principais causas são as doenças do metabolismo dos lisossomos e peroxissomos. As doenças lisossomais somam mais de 50 tipos, porém uma das mais comuns dentre elas são as lipofuscinoses, as mucopolissacaridoses, as gangliosidoses, as leucodistrofias, a doença de Niemann-Pick tipo C/B, as peroxissomais e a adrenoleucodistrofia.

Quais os principais sintomas das doenças neurodegenerativas na infância?

Geralmente é como se o desenvolvimento psíquico e/ou motor da criança regredisse. É o que chamamos de involução neurodegenerativa. Quando a criança perde habilidades que já havia adquirido, como sentar e andar, dizemos que houve uma involução motora. Quando ela perde a fala, a compreensão e o raciocínio, então dizemos que aconteceu uma involução psíquica. Surgem ainda outros sintomas, como transtornos de movimento, que fazem com que a criança caia com frequência; ou ainda crises epilépticas. A causa dos sintomas e como cada caso evolui depende do tipo de doença que está por trás desse quadro.

Meu filho está apresentando atraso para falar. Devo me preocupar com uma questão mais séria no seu desenvolvimento?

Atraso de fala é um fato comum em crianças e mais frequentemente não tem origem numa doença. Mas, sempre que ocorre deve ser avaliado por profissionais experimentados (fonoaudiólogos e/ou neurologistas pediátricos) e acompanhado até que se tenha certeza de que se trata apenas de uma característica do desenvolvimento daquela criança.

Meu filho estava se desenvolvendo normalmente, mas parou de andar/engatinhar de uns tempos para cá. Ele pode ter uma doença neurodegenerativa?

A perda de habilidades adquiridas é sempre um sinal de alerta e deve ser cuidadosamente avaliada por um especialista (neurologista pediátrico), pois pode ser uma doença do sistema nervoso.

Onde posso encontrar mais informações sobre doenças neurodegenerativas na infância?

Você pode encontrar mais informações na página Doenças Neurodegenerativas, junto às associações Niemann Pick BrasilLBECasa HunterIABS AtlasACAMU ou ainda visitando os websites internacionais  BDSRABDFANoah’s HopeNPUK ou MPS Society, para explorar seus próprios materiais educacionais e conteúdo.

O que é convulsão ou crise epiléptica? Como reconhecer se meu filho tiver uma?

A crise epiléptica acontece quando existe uma descarga anormal dos neurônios, as células nervosas do organismo. Os sintomas vão depender da área do cérebro em que essa descarga ocorre. Assim, podemos ter sintomas motores como: abalos, contrações bruscas e pequenos choques. Ou sintomas sensitivos, como sensação de formigamento. Ou, ainda, sintomas sensoriais como: sensações estranhas, alucinações etc. As crises podem ocorrer com ou sem alteração da percepção, ou contato, como também podem ser rápidas ou prolongada. A convulsão é um tipo de crise epiléptica em que a pessoa perde a percepção, cai e tem abalos generalizados.

Quando a epilepsia pode ser sinal de uma doença neurodegenerativa na infância?

Quando as crises epilépticas são frequentes, de difícil tratamento e, ainda, quando ocorrem outros sintomas, especialmente os de uma involução psíquica e/ou motora.

Qual médico procuro para saber sobre o assunto?

O profissional indicado é o neurologista infantil.

Como se diagnosticam as doenças neurodegenerativas na infância?

O diagnóstico é clínico, com base na história clínica e nos sintomas apresentados pela criança. Exames complementares auxiliam na quantificação dos sintomas e na busca da causa da doença. A partir daí, são solicitados exames de sangue ou saliva, para a pesquisa da falta de enzimas nas células ou pesquisa do gene deficiente. Podem ser realizados, ainda, eletroencefalograma, ressonância magnética de crânio, exame do fundo de olho e de audição.

Existe tratamento para as causas das doenças neurodegenerativas na infância?

Para algumas das doenças neurodegenerativas já é possível o tratamento de sua causa subjacente, como a reposição de substâncias faltantes no organismo, conhecida como terapia de reposição enzimática. De toda forma, estas terapias evitam o aparecimento de novos sintomas, ou progressão dos sintomas existentes, mas não revertem o dano causado pelos sintomas já existentes. Além disso, há vários outros cuidados paliativos que podem melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Assim, o diagnóstico deve ser o mais precoce possível. Na presença de sintoma, suspeita ou mesmo na dúvida, procure o pediatra. E caso ele ache necessário, procure também o neurologista infantil.

Como obter apoio para minha família ou para alguém que conheço com doenças neurodegenerativas na infância?

Se você deseja ajuda, apoio, orientação ou simplesmente uma pessoa amiga para conversar, a comunidade de grupos de pacientes tem as pessoas indicadas para esse momento.

Confira a página Apoio ao Paciente para informações sobre estes grupos e como entrar em contato com eles. Muitas destas organizações têm redes por todo o mundo com o objetivo de dar apoio às famílias, promovendo o acesso ao diagnóstico e aos tratamentos, permitindo assim maior qualidade de vida para pacientes e familiares.

Posso arrecadar fundos ou doar às instituições de caridade envolvidas?

A campanha Pelo Fim do Silêncio não está recolhendo doações ou arrecadando fundos como parte de sua atividade.

AS HISTÓRIAS ENCONTRADAS AQUI SÃO DE FAMÍLIAS REAIS?

Sim. Todas as histórias são de entrevistas reais com famílias em que os filhos foram diagnosticados com uma doença neurológica classificada como neurodegenerativa na infância.

Referências:
1. Shapiro E.G., Klein K.A. (1994) Dementia in Childhood: Issues in Neuropsychological Assessment with Application to the Natural History and Treatment of Degenerative Storage Diseases. In: Tramontana M.G., Hooper
S.R. (eds) Advances in Child Neuropsychology, vol 2. Springer, New York, NY
2. Evans, and Hendriksz, C. Niemann-Pick type C disease – the tip of the iceberg? A review of neuropsychiatric presentation, diagnosis and treatment. BJPsych Bulletin (2016) 1-6
3. Guide to Understanding Mucopolysaccharidosis III (MPS III) Sanfilippo MPS Society. 2013. Disponível em: https://www.mpssociety.ca/wp-content/uploads/2018/07/MPSIIIBookletEnglish.pdf Acesso em: Maio 2020.
4. Rarer Types of Dementia. Alzheimer’s Society. Disponível em: https://www.alzheimers.org.uk/info/20007/types_of_dementia/108/rarer_types_of_dementia/5 Acesso em: Junho 2019.
5. Niemann-Pick disease type-C. Niemann-Pick UK. Disponível em: http://www.npuk.org/niemann-pick-disease/ Acesso em: Junho 2019.
6. Kohlschutter, and A. Schulz, CLN2 Disease (Classic Late Infantile Neuronal Ceroid Lipofuscinosis). Pediatric Endocrinology (Diabetes, Nutrition, Metabolism) Reviews, 2016.
7. Nickel M, Jacoby D, Lezius S, et al. Natural history of CLN2 disease: quantitative assessment of disease characteristics and rate of Poster session presented at the 12th Annual WORLD Symposium; February-March
2016; San Diego, CA.
8. Schulz A, Miller N, Mole S.E., et al. Neuronal ceroid lipofuscinosis-2 (CLN2) natural history and path to diagnosis: International experts’ current experience and recommendations on CLN2 disease, a type of Batten
disease, resulting from TPP1 enzyme de ciency. Eur J Paediatr 2015;19:S119.
9. Mucopolysaccharidosis type II. Genetics Home Reference. (2018) Disponível em: https://ghr.nlm.nih.gov/condition/mucopolysaccharidosis-type-ii. Acesso em: Junho 2019.

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